quarta-feira, 29 de setembro de 2010

elA via

Vazio

Vazio me sinto, minto

Vazio não me sinto, minto

Sou vazio, minto mas com um porém

Com um todavia, um apesar de, um mas, um peraí um pouquinho, um carinho da espera de quem lê/ ouve.

Sinto seu carinho sem o saber.

Vazio de cheio, e recheio.

Cheio de vazio: a parte do bombom de fora, oras. Como explicar? A camadinha que cobre o recheio, vocês sabem...

Sei lá não me vem nada agora até porque estou vazio esqueci até a pontuação não tenho solução parece que a reflexão se nega palavras compras consumo sociedade loucura ilusão vejo um monte de coisas cujos preços presto atenção.

Rio: de passarelas a brilhar no ruído: campos defecados das naves de repouso do futuro do Rio de Janeiro. 

Quina de escape dos saltos-desmarques, quimos.

terapia.

Algeguês. Portemática.

Ela via. E clara era a presença do que via. Tudo que via era a via. Mas como a vida, não via mais do que vida, ou via. Ria, da vida, que ria e ouvia. Mas como não rir diante de tamanha obviedade complexa? Como não chorar com tais manuseios disferidos. Vontades desperdiçadas, anti-catarses. Anti-vida.

Ela via tudo, e não via nada. Mas via a via cheia de carros. Ela, janela. O choro cheio de carros. Menina vazia: a rua cheia de vazos: a casa cheia de carros.

3 comentários:

flaviadoria disse...

ih, poesiou.
esse final arrebentou a boca do balão, mas me conta: que é algeguês? não pesquei.

Luiza Schiavo disse...

álgebra com português, do Tudo um porco

Edu disse...

Ela via: sinto seu carrinho... hehehe!

Sensacional!

Abraz