Aquele olhar que vem naquele momento exato depois de algum momento que você não sabe mais qual é
Ou então aquela música que você nunca ouviu que toca depois de umas de suas músicas favoritas na lista, e você já não sabe mais qual era a música que tocava antes, e nunca vai saber se não olhar
Aquela mulher que faz você esquecer pra qual estação do metrô você estava indo, não por que você a achou interessante, mas porque está surpreso de estar conversando com ela como se a conhecesse há anos...
A sensação de anos, de anos a mais do que os da sua própria idade, após olhar folhas de outono, de uma árvore alta e velha, com a viscosidade fixa de mel marrom cobrindo-a, caindo devagar como no outono, sem ser outono.
Acidentes que não são acidentes, coincidências idem, acontecimentos que não eram pra acontecer, lembranças, saudades, a mediocridade do ser humano diante do universo, tudo.
Verdades prontas que se despedaçam com um simples desfiar de palavras do outro lado do ouvido...
Nostalgia... A beleza do som e da música...
Norah Jones...
Carla Bruni...
Mulheres... Ah mulheres....
Ouço a melodia de tudo em conjunto num uníssono disforme pedindo mais de mim, curiosidade explodindo de curiosidade enquanto já absorve informação
Implosão explodindo dentro da explosão